EXPERIMENTAÇÃO NO ENSINO REMOTO DURANTE A PANDEMIA DA COVID-19: COMPREENSÕES E IMPACTOS À FORMAÇÃO DE LICENCIANDOS EM QUÍMICA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22407/2176-1477/2024.v15.2434

Palavras-chave:

Experimentação investigativa, Ensino remoto, Formação docente

Resumo

O objetivo desta pesquisa foi estudar as compreensões construídas por licenciandos em Química, durante o desenvolvimento de disciplinas que previam a realização de experimentos em laboratório, no período de ensino remoto em tempo de pandemia do novo coronavírus - SARS-CoV-2, a fim de analisar os impactos à formação docente. Participaram da pesquisa básica de abordagem qualitativa e explicativa, nove licenciandos de um curso noturno de Licenciatura em Química, de um campus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Eles responderam um questionário contendo cinco questões dissertativas. Os dados obtidos foram estruturados de acordo com análise de conteúdo. Os resultados evidenciam que, durante a pandemia da Covid-19, a maior parte dos professores utilizaram vídeos disponíveis no Youtube durante disciplinas que previam atividades experimentais na UTFPR. Quanto à avaliação, alguns docentes solicitaram aos licenciandos a realização de gravação, em vídeo, da explicação do fenômeno ocorrido em experimentos que foram realizados por eles em casa. No entendimento de alguns licenciandos, era impossível realizar experimentos fora do laboratório, e outros conceberam o vídeo como uma alternativa viável para o momento do ensino remoto. Para todos os licenciandos, os impactos ocasionados pela não realização de atividades experimentais em laboratório foram considerados negativos, uma vez que a ausência de tais atividades acarreta a defasagem no ensino. Na fala dos licenciandos, ficou evidente uma visão utilitarista das atividades experimentais, acerca de não aprender a manusear equipamentos e executar técnicas. Também identificamos uma concepção ingênua a respeito das atividades experimentais, no sentido de que foram entendidas apenas como uma forma de ludismo, a despertar a atenção e o interesse pelo estudo.

Referências

AMARAL, L. O. F.; SILVA, A. C. Trabalho Prático: Concepções de Professores sobre as Aulas Experimentais nas Disciplinas de Química Geral. Cadernos de Avaliação, Belo Horizonte, v.1, n.3, p. 130-140. 2000.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.

BRASIL. Portaria nº 343, de 17 de março de 2020. Dispõe sobre a substituição das aulas presenciais por aulas em meios digitais enquanto durar a situação de pandemia do Novo Coronavírus – COVID-19. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Portaria/PRT/Portaria%20n%C2%BA%20343-20-mec.htm. Acesso em: 23 jan. 2024.

BUENO, A. J. A. et al. Atividades práticas/experimentais para o ensino de ciências além das barreiras do laboratório desenvolvidas na formação inicial de professores. RenCima, v. 9, n. 4, p. 94-109, 2018.

CACHAPUZ, A. et al. A Necessária Renovação Do Ensino Das Ciências. São Paulo: Ed. Cortez, 2005.

CASTRO, C. E. R.; ALEIXANDRE, M. P. J. La cultura científica en la resolución de problemas en el laboratorio. Enseñanza de las Ciencias, v.18, n.2, p.274-284, 2000.

FERREIRA, L. H.; KASSEBOEHMER, A. C. Formação inicial de professores de Química: a instituição formadora (re)pensando sua formação social. São Carlos: Pedro & João Editores, 2012.

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 2008.

GIORDAN, M. O Papel da Experimentação no Ensino de Ciências. Química Nova na Escola, Nº 10, novembro, 1999.

GONÇALVES, P. F.; BRITO, A. M. Experimentação na educação em química: fundamentos, proposta e reflexões. Florianópolis: ed. da UFSC, 2014.

HODSON, D. Experimentos na ciência e no ensino de ciências. Education Philosophy and Theory, v. 20, p. 53-66, 1988.

HODSON, D. Hacia um Enfoque más Crítico del Trabajo de Laboratorio. Enseñanza de lãs Ciências, Barcelona, v. 12, n. 3, p. 280-313, 1994.

LEITE, S. B. Da aula presencial para a aula virtual: relatos de uma experiência no ensino virtual de Química. Revista Unam, México, p. 66-72, 2020.

MAIA, M. I. M. C.; SILVA, F. A. R. Atividades investigativas de Ciências no Ensino Fundamental II: um estudo sobre aprendizagem científica. Curitiba: Appris, 2018.

MINAYO, M. C. S. (Org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: RJ: Vozes, 1994.

MONTEIRO, P. C. A experimentação investigativa: um estudo com licenciandos em Química. 2018. Tese (Doutorado em Ensino de Ciências) – Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2018. Disponível em: https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=7198502. Acesso em: 23 jan. 2024.

MONTEIRO, P. C. et al. Percepção de licenciandos sobre o papel da experimentação no Ensino de Química. Revista Brasileira de Educação em Ciências e Educação Matemática, v. 5, n. 1, 2021, p. 72-88.

NEVES, N. N.; SANTOS, A. R. O uso das tecnologias digitais da informação e comunicação para a experimentação no ensino de química: uma proposta usando sequências didáticas. Scientia Naturalis, v. 3, n. 1, p. 194-206, 2021.

OLIVEIRA, R. C. Atividades investigativas no ensino de ciências. In: ANTUNES, E. P; GIBIN, G. B (Org.). Ensino de ciências por investigação: propostas teórico-práticas a partir de diferentes aportes teóricos. São Paulo: Livraria da Física, 2021, p. 19-38.

OLIVEIRA, R. M. et al. Ensino remoto emergencial em tempos de covid-19: formação docente e tecnologias digitais. Revista Internacional de Formação de professores, v. 5, p. e020028-e020028, 2020.

PAULA, H. F. As tecnologias de informação e comunicação, o ensino e a aprendizagem de Ciências Naturais. In: MATEUS, A. L. (Org.). Ensino de Química mediado pelas TICs. Belo Horizonte: editora UFMG, 2015, p. 169-195.

ROSITO, B. A. O ensino de Ciências e a experimentação. In: MORAES, R. (Org.). Construtivismo e ensino de ciências: reflexões epistemológicas e metodológicas. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2000.

SASSERON, L. H. Alfabetização científica, ensino por investigação e argumentação: relações entre ciências da natureza e escola. Revista Ensaio, v.17, n. Especial, 2015, p. 49-67. 2015.

SCHNETZLER, P. R.; ARAGÃO, R. M. R. Ensino de ciências: fundamentos e abordagens. Campinas, 2000.

SILVA, F. N. et al. Concepções de professores dos cursos de Química sobre as atividades experimentais e o Ensino Remoto Emergencial. Revista Docência do Ensino Superior, Belo Horizonte, v. 10, p. 1–21, 2020.

SILVA, R. T. D. et al. Contextualização e experimentação uma análise dos artigos publicados na seção “Experimentação no Ensino de Química" da revista Química Nova na Escola 2000-2008. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências, v.11, n.2, 245-261, 2009.

SOARES, M. H. F. B. Jogos e Atividades Lúdicas no Ensino de Química. Kelps: Goiânia, 2015.

SOUZA, F. L. et al. Atividades experimentais investigativas no ensino de química. São Paulo: CETEC, 2013.

SUART, R. C. A experimentação no ensino de Química: conhecimentos e caminhos. In: SANTANA, E; SILVA, E (Org.). Tópicos em Ensino de Química. São Carlos: Pedro & João Editores, 2014. p. 63-88.

SUART, R. C.; AFONSO, S. A. Formação inicial de professores de química: discutindo finalidades e possibilidades sobre o papel da experimentação no ensino de química. Experiências em Ensino de Ciências, v. 10, n. 2, p. 131, 2015.

UTFPR. Ministério da Educação. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Conselho de graduação e educação profissional (Secretaria). Resolução nº 48/2020 – COGEP. Resolução nº 48, de 03 de dezembro de 2020.

Downloads

Publicado

2024-02-02

Edição

Seção

Artigos Científicos